Síndrome de Hipermobilidade: quando a flexibilidade deixa de ser vantagem e vira dor

Ser uma pessoa “flexível” pode parecer algo positivo… e muitas vezes é. Mas quando essa flexibilidade vem acompanhada de dor, cansaço e outros sintomas, pode indicar uma condição ainda pouco reconhecida: a Síndrome de Hipermobilidade.

Muitas pessoas convivem com dores há anos sem entender a causa, passando por diversos tratamentos sem sucesso. Em alguns desses casos, o problema não está apenas em uma articulação, mas na forma como o corpo funciona como um todo.

O que é a Síndrome de Hipermobilidade?

A hipermobilidade ocorre quando as articulações apresentam movimento além do considerado normal, devido a uma maior elasticidade dos ligamentos e tecidos de sustentação.

Em alguns casos, isso não gera sintomas. Porém, em outros, pode levar a um quadro associado a dor crônica, instabilidade e impacto significativo na qualidade de vida.

Por que a hipermobilidade pode causar dor crônica?

Apesar de parecer contraditório, o excesso de mobilidade pode gerar sobrecarga constante nas articulações e músculos.

Isso acontece porque o corpo precisa compensar a falta de estabilidade, levando a:

  • Tensão muscular contínua
  • Microlesões repetitivas
  • Sobrecarga articular
  • Fadiga muscular

Com o tempo, isso pode evoluir para um quadro de dor crônica difusa, muitas vezes difícil de tratar quando a causa não é identificada corretamente.

Mais do que dor: outros sintomas que podem estar associados

Um dos pontos mais importantes e que muitas vezes passa despercebido é que a hipermobilidade não afeta apenas as articulações.

Ela pode estar relacionada a uma série de manifestações em diferentes sistemas do corpo:

Sintomas físicos e sistêmicos

  • Tontura ao levantar (hipotensão postural)
  • Taquicardia e disautonomias
  • Problemas gastrointestinais
  • Alterações urinárias
  • Hérnias ou prolapsos
  • Varizes e alterações vasculares

Sintomas relacionados ao sistema imune e inflamatório

  • Alergias frequentes
  • Rinite, asma ou problemas respiratórios
  • Sensibilidade alimentar
  • Irritação intestinal
  • Episódios de inflamação sem causa clara

Sintomas neurológicos e emocionais

  • Dores de cabeça frequentes
  • Ansiedade e depressão
  • Sensação de alerta constante (hipervigilância)
  • Fadiga persistente
  • Distúrbios do sono

Por que isso acontece?

Esses sintomas podem estar relacionados a alterações em mediadores do organismo (como os mastócitos), que influenciam inflamação, sensibilidade à dor e o funcionamento de diferentes sistemas do corpo.

Isso explica por que muitos pacientes apresentam um quadro complexo, envolvendo múltiplas queixas ao mesmo tempo.

Por que essa condição ainda é pouco diagnosticada?

A Síndrome de Hipermobilidade ainda é subdiagnosticada, principalmente porque:

  • Os sintomas são variados e não específicos
  • Podem envolver diferentes especialidades
  • Nem sempre aparecem em exames tradicionais
  • A dor costuma ser tratada isoladamente

Isso faz com que muitos pacientes passem anos sem um diagnóstico claro.

O papel do fisiatra no diagnóstico

O médico fisiatra avalia o paciente de forma global, considerando:

  • Padrões de movimento
  • Estabilidade articular
  • Funcionamento muscular
  • Impacto da dor na rotina

Essa abordagem permite identificar quando a hipermobilidade está por trás dos sintomas, algo que pode passar despercebido em avaliações mais pontuais.

Como o Dr. Fernando Hong pode ajudar

O Dr. Fernando Hong é médico fisiatra, especialista no tratamento da dor musculoesquelética com uma abordagem moderna e individualizada, baseada em evidências.

Seu trabalho envolve:

  • Avaliação completa e detalhada
  • Identificação da causa da dor
  • Diagnóstico funcional
  • Planejamento de tratamento personalizado

No caso da hipermobilidade, essa visão é essencial para evitar tratamentos genéricos e focar no que realmente faz diferença para o paciente.

Existe tratamento?

Sim, e ele é totalmente individualizado.

O objetivo não é “corrigir” a hipermobilidade, mas sim:

  • Reduzir a dor
  • Melhorar a estabilidade das articulações
  • Fortalecer musculaturas específicas
  • Ajustar padrões de movimento
  • Melhorar a qualidade de vida

Em alguns casos, também podem ser utilizados recursos específicos para controle da dor.

Quando investigar?

Se você apresenta:

  • Dor persistente em várias regiões
  • Sensação de articulações instáveis
  • Cansaço frequente
  • Histórico de lesões repetidas
  • Sintomas diversos sem explicação clara

Vale a pena buscar uma avaliação especializada.

Conclusão

Nem toda dor está relacionada apenas a desgaste ou lesão.

Em alguns casos, como na Síndrome de Hipermobilidade, o próprio funcionamento do corpo pode ser o fator principal por trás da dor crônica e de múltiplos sintomas.

Por isso, o diagnóstico correto faz toda a diferença.

Com uma avaliação adequada, é possível entender a origem do problema e iniciar um tratamento mais direcionado, eficaz e seguro.